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Animais de estimação
Eles fazem bem à saúde?
Pesquisas comprovam os benefícios do «Fenômeno pet» - o convívio com animais de estimação nos centros urbanos

Eles são considerados os médicos do Século XXI. Sem prescrever nenhuma medicação, conseguem baixar a pressão arterial de seus pacientes, aliviar o estresse do cotidiano, elevar a auto-estima e promover o bem-estar geral, com muita brincadeira e bom humor. Eles são os animais de estimação, especialmente cachorros e gatos que, no fortalecimento do vínculo com seus amigos humanos, são os novos «papas» da qualidade de vida. Em todo o mundo, crescem os adeptos da chamada zooterapia. Para o ambientalista Marco Ciampi, 49 anos, presidente da Arca Brasil (Associação Humanitária de Proteção e Bem-estar Animal), que representa no País a Associação Internacional das Organizações de Interação Homem-Animal, a vida moderna tem empurrado o ser humano a refletir sobre sua relação com o planeta, a flora e a fauna. Aqui está uma das causas para o chamado «fenômeno pet» conviver com animais nos centros urbanos. Porém, Ciampi ressalva que possuir um animal requer responsabilidades. A Arca Brasil é uma das instituições que disseminam no País a posse responsável destes amiguinhos peludos e de quatro patas.

Viva - Por que os animais estão sendo considerados os médicos do Século XXI?

Marco Ciampi - Há algum tempo, uma pesquisa publicada no British Journal , da Royal Society of Medicine, da Inglaterra, afirmava que, depois de adquirir um cão ou gato, diminuem as reclamações do dono sobre pequenos problemas de saúde. Outros estudos, feitos em diversas partes do mundo, só comprovam a tese. Idosos que têm cães, por exemplo, são mais saudáveis. Os animais são um ótimo incentivo para caminhadas diárias e uma boa desculpa para puxar conversa, o que contribui para a socialização.

- Quais os males humanos que encontram mais curas na interação ser humano-animal?

Marco Ciampi - Além de uma grande companhia, os animais de estimação ainda são muito úteis durante o tratamento de deficientes ou portadores de doenças graves. Outra pesquisa confirma que quem tem um bicho de estimação, independentemente da idade, tende a apresentar um nível mais baixo de colesterol, o que é ótimo para o coração. Depressão, ansiedade, solidão ou medo também são mais raros entre essas pessoas. E mais: elas se recuperam de cirurgias e infartos mais rapidamente. Até o bolso fica melhor. De acordo com pesquisas feitas por seguradoras, os gastos com médicos são menores entre os donos de pets. Ou seja, aqueles que alegam queda de pêlos, gastos com ração e veterinário para evitar a presença de um animal, devem saber que a lista de benefícios é bem maior do que imaginam. O amor incondicional desses amigos de quatro patas é importantíssimo para a recuperação da auto-estima - o que, muitas vezes, também independe de saúde, cultura ou classe sócio-econômica.

- Quais os benefícios que as crianças podem obter na posse de um animal? E os idosos?

Marco Ciampi - Há benefícios comprovados no tratamento de crianças com problemas escolares e na reintegração de doentes, jovens desajustados, idosos e deficientes à sociedade. Nas salas de aulas, eles também são muito úteis. Animais de companhia aumentam a auto-estima da criança, melhoram sua integração na sala de aula e incentivam o contato social. A necessidade de as crianças conhecerem mais sobre os animais e de interagirem com eles na escola contribui para o desenvolvimento individual e torna o ambiente escolar mais saudável. Já os idosos que possuem bichos de estimação são mais saudáveis, porque além de terem companhia, precisam fazer caminhadas para passear com os companheiros e a maioria gosta de conversar com os bichos, o que melhora a sensação de bem-estar, tanto do homem como do animal.

- Mesmo a zooterapia tendo origem antiga, porque somente agora ela está mais em evidência? Quais os países onde esse tipo de terapia está mais desenvolvida?

Marco Ciampi - Em países como Estados Unidos, Canadá, Suíça, França, Inglaterra e Japão, cada vez mais médicos e diretores de clínicas e de hospitais adotam essas técnicas. Eles são testemunhas dos efeitos benéficos da companhia dos animais, não apenas em seus pacientes, mas também na equipe médica. Não se trata de uma nova tendência. Os primeiros estudos na área começaram na década de 1960, nos Estados Unidos, com Boris Levinson e Sam e Elisabeth Corson. Eles comprovaram o progresso mais rápido dos pacientes que recebem visitas de cachorros, gatos e outros animais.

- E no Brasil, onde as experiências de zooterapia estão sendo mais praticadas?

Marco Ciampi - No Brasil, a psiquiatra Nise da Silveira foi pioneira da técnica. Ela utilizou, com sucesso, animais - a quem chamou co-terapeutas - no tratamento de esquizofrênicos, no Hospital Pedro II, no Rio de Janeiro. Atualmente, esses co-terapeutas são muito usados no tratamento de crianças hiperativas ou agressivas; portadores da síndrome de Down, pacientes de Alzheimer, pacientes com problemas neurológicos e deficientes físicos.

- Diante do comércio indiscriminado de animais domésticos, especialmente cães, quais os cuidados que as pessoas devem ter ao adquirir um filhote, promovendo a posse responsável?

Marco Ciampi - A sociedade tem sido levada a refletir, de forma cada vez mais contundente, sobre a sua relação com o planeta, a flora e fauna. O ritmo desenfreado, as disputas individuais e as incertezas da economia propõem ao ser humano o reequilíbrio com a natureza, na busca por mais qualidade de vida. Essa é uma das razões do «fenômeno pet» - o convívio com animais de estimação nos centros urbanos. Os benefícios da relação do homem com os animais, recomendada até por médicos, são amplamente comprovados. No entanto, é preciso muita atenção: um filhotinho peludo pode ser tentador, mas levá-lo para casa significa o início um relacionamento que pode durar mais de 15 anos - e ele não será para sempre um filhote. Trata-se de um novo membro da família, um compromisso para toda a vida. Raças «da moda» ou com apelo na mídia podem não ser adequadas ao espaço da casa ou estilo de vida dos interessados. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem entidades que cuidam exclusivamente de problemas relacionados com o abandono de dálmatas. Adquiridos por impulso, eles pagam o preço do sucesso de seus colegas no cinema. Cada vez que alguém cede a um apelo sem refletir poderá estar alimentando a chamada fábrica de filhotes. Movidos pelo lucro fácil, criadores irresponsáveis multiplicam-se em feiras de shoppings, parques, praças e beiras de estrada, ou fornecendo animais para pet shops inescrupulosos. Sem fiscalização adequada, essas criações revelam uma exploração cruel e muito sofrimento. Por isso, o ideal é não comprar um animal quando você não puder ter acesso às instalações do criador ou da loja. Cuidado redobrado deve ser tomado com os anúncios em jornais ou sites na internet.

- E que tal incluir entre as opções a de poupar uma vida de quatro patas?

Marco Ciampi - Existem centenas de animais à espera de adoção, sob a guarda de entidades de proteção e centros de controle de zoonoses, precisando apenas de uma chance para viver. Alguns pet shops, que começam a abrir espaço para instituições criteriosas que oferecem cães e gatos para adoção, também obtêm sucesso entre o seu público, que vê essa atitude com simpatia. Importante: é fundamental que o animal tenha passado por triagem veterinária, que esteja vacinado e, de preferência, castrado.

- Como estabelecer uma relação saudável com o amigo animal?

Marco Ciampi - O segredo de uma relação bem-sucedida com cães e gatos começa antes que eles entrem em casa. A família deve estar ciente e de acordo, pois a boa vontade dela será muito importante. Quem vai cuidar dos bichos durante as férias ou feriados prolongados? Quem ficará responsável por levá-lo ao veterinário, para vacinar, tomar vermífugo e dar banho? Além de tempo, quem tem um bicho em casa precisa de dinheiro suficiente para todos esses cuidados. Acredita-se que a crise na economia seja um dos principais motivos para o aumento no abandono de animais de raça nas grandes cidades. De nada adianta morrer de amores pela bolinha de pêlos quando filhote, se o adulto passa a vida num fundo de quinta, ou ainda pior: atado a uma corrente. O vínculo dos cães e gatos com o homem, um dos mais próximos entre as espécies, garantiu a eles o título de animais de companhia. Portanto, se você não tem tempo para passear com seu cachorro, escovar seu gatinho ou para conversar com o seu bicho, além de deixar de desfrutar de uma das boas coisas da vida estará fazendo infeliz um grande amigo.

Fonte: Diário do Nordeste

Valéria Feitosa
editora do Regional


 
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